Saiba o que fazer para prevenir a violência sexual de crianças e adolescentes

É preciso falar sobre o bem-estar infantojuvenil. O Brasil é o 11º colocado no ranking de abuso e exploração sexual infantil em relatório publicado, neste ano, pela revista britânica, “The Economist”.

A caminhada contra o abuso e exploração de crianças e adolescentes acontece amanhã (17), em Canaã. A concentração é às 15h30, no canteiro central, na Avenida Weyne Cavalcante.

No município, segundo a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, são registrados por ano, em média, quatro casos de abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. Entretanto, técnicos da secretaria acreditam que os números sejam bem superiores, pois, por diversos motivos, as famílias não reportam os casos ao Conselho Tutelar, Polícia Civil e demais órgãos competentes.

A servidora pública municipal, psicóloga do projeto Nic e da unidade de acolhimento de crianças e adolescentes, Elysabette Brito da Cunha falou sobre o tema e deu orientações aos pais e responsáveis sobre o problema:

Ascom: O que caracteriza o abuso e a exploração sexual?

Elysabette: O abuso é qualquer ato cometido pelo adulto que visa o prazer sexual e envolve o menor de forma mais velada.

Por exemplo, tocar, falar, acariciar, manipular ou induzir o toque do corpo de ambos, expor a conteúdo pornográfico, porém sem contato sexual invasivo.

Já a exploração é todo o tipo de exposição da criança e do adolescente. Já envolve a invasão física dos menores.

E os fins podem ser diversos: prostituição, turismo e escravidão sexual, pornografia infantil, entre outros.

Ascom: Existem casos de abuso ou exploração sexual de menores em Canaã?

Elysabette: Infelizmente, sim. E o número é considerado alto.

Ascom: É possível prevenir a violência?

Elysabette: Claro. O responsável pelos menores deve observar o comportamento dos jovens, estimular o diálogo e desenvolver uma relação de confiança de pai para filho.

A conversa ajuda, principalmente, em casos de abuso.

Como este crime é frequentemente mascarado pelos adultos, nem sempre as crianças conseguem discernir.

Outro fator é que parte da sociedade menospreza a manifestação das crianças. Muitos pais não dão crédito aos relatos e, nem se quer, investigam.

Evitar deixar as crianças com estranhos é muito importante também. No caso dos familiares, atentar-se para o comportamento de irmãos, pais, avôs e tios.

Ascom: Quais são os sinais que podem acusar o abuso e a exploração?

Os sinais podem ser físicos e emocionais.

Os visíveis: doenças sexualmente transmissíveis, gestação, lesões e hematomas pelo corpo e na região genitalia.

Já os relacionados ao comportamento podem ser isolamento, irritação, agressividade, distúrbios de humor e comportamento, apatia, crises de choro, evitação em ficar perto do abusador, entre outros.

Outra característica pode ser o jovem ou a criança começar a apresentar um comportamento sexual inadequado, como: reprodução do ato libidinoso com colegas,  excesso de brincadeiras desproporcionais à idade e a necessidade de se relacionar com vários parceiros na adolescência.

Ascom: Qual o papel da sociedade na luta contra o abuso e a exploração infantojuvenil?

Elysabette: 1) Ser vigilante. Tomar conhecimento do problema. O 18 de maio (Dia Mundial de combate ao abuso e à exploração contra crianças e adolescentes) tem essa função: alertar a comunidade.

Os técnicos vão às ruas para que a sociedade conheça o que caracteriza o abuso e a exploração sexual.

2) É vigiar e denunciar os crimes. O Eca diz que também é dever da sociedade garantir os direitos das crianças e adolescentes.

3) Acolher e não criticar ou questionar os menores. Procurar entidades que possam tratar desses casos.

Ascom: Como o Poder Público enfrenta o problema?

A prefeitura por meio da Semdes tem órgãos como o Conselho Tutelar, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), o Cras e o Creas para lidar com esses casos.

O Cras acompanha as famílias em vulnerabilidade social para prevenir a violência. A criança por meio dos serviços de convivência, tem apoio de pedagogos, psicólogos e demais profissionais para acompanhá-las de perto.

Já o Creas é o órgão que recebe as famílias quando a violência já aconteceu. Lá é oferecido atendimento psicossocial e, se necessário é disponibilizada a Casa Abrigo, para que os jovens vítimas de violência fiquem sob a guarda do Estado.

Os conselhos também auxiliam na fiscalização dos serviços prestados e das autoridades, buscando também verbas e recursos para fortalecer o trabalho.

O Ministério Público e o Judiciário em Canaã dos Carajás também atuam em parceria. Felizmente, trabalhamos em harmonia com todos os órgãos competentes.

Caminhada contra a violência sexual infantojuvenil

Data: 17/05/2019

Concentração: 15h30

Partida: Canteiro Central da Avenida Weyne Cavalcante

Chegada: Praça da Bíblia – Novo Horizonte

Roteiro: Avenidas Weyne Cavalcante, dos Pioneiros e Rio Branco